14.7.08

O Negro e a Moda: a Vogue italiana

A Vogue italiana de julho publicou um número dedicado a mulher negra com algumas das principais modelos, cantoras e atrizes negras. Segundo a editora da revista Franca Sozzani, a iniciativa decorreu da necessidade de se fazer algo diferente e que a candidatura de Barak Obama nos EUA ofereceu a inspiração.
Para a editora da revista em entrevista, não existe racismo na moda e sim falta de modelos negras, citando que para cada 10 modelos negras existem 1000 modelos brancas e atesta que com a boa repercussão da edição irá utilizar mais modelos negras em próximas edições.

Naomi Campbell foi homenageada com 20 páginas da edição que teve as fotos feitas pelo consagrado fotógrafo Steve Meisel.

No vídeo de 3:45 min. são mostradas várias fotos da edição da revista.



A impressão que se tem com a declaração da editora é de que ela vive em outro mundo, e certamente não é só o da moda. Na própria entrevista o início do texto começa declarando que o racismo na moda é endêmico e não precisaríamos de muitos atestados de figuras consagradas para chegarmos a mesma conclusão. Contudo, há outras opiniões em circulação na mídia e iniciativas de alguns profissionais de moda consagrados que procuram um foco maior na diversidade.

A resistência é da própria indústria da moda que afirma que o negro não consome em escala suficiente e que as agências de modelos e de publicidade fazem coro: as modelos negras não inspiram ao consumo no mercado internacional.

São os mesmos argumentos usados no mercado brasileiro de moda que colocam os negros em posição marginal tanto esteticamente, quanto em relação ao consumo específico de vestuário quanto dos demais produtos.

Estes mitos apesar da simplicidade dos argumentos que mal refletem o estágio acelerado do consumo atual tem a força do resistente preconceito estético-racial que busca afirmar a hegemonia de um ideal de beleza eurocêntrico e de classe excluindo ou segregando o negro.

Nesta matéria publicada em O Globo Naomi Campbell parece confirmar o argumento da editora da Vogue italiana.

O que você acha: Não existem modelos negros suficientes, a imagem do negro não "vende", o preconceito e o racismo são mais fortes ou o negro não tem poder de compra suficiente?

Comente abaixo e responda na enquete ao lado.
Resultado da enquete:
Qual o maior problema no mercado de moda para o negro?
  • Não existem modelos suficientes: 3 votos (8%)
  • A imagem do negro não vende: 0 voto (0%)
  • O preconceito e o racismo são mais fortes: 32 votos (88)
  • O negro não tem poder de compra suficiente: 2 (5%)
Revisada em 27/07.

3 comentários:

Dilemar Monteiro disse...

O mundo da moda não falta modelos negros, e sim negros interessados em ser modelos, correndo o risco de sair do modelo estetico normalmente aceito pelo o socialmente correto.
Hoje as opção a coragem estão bem mais abertas, onde vemos negras e negros assumindo a sua raça, com amor e indo a busca do seu espaço no social tido como certo e correto.
Ainda falta um pouco mais de ambição para sairmos da vala comum onde fomos colocados de forma mundial. Negro é normalmente o excluido pela heranças das estorias sobre nós colocadas, no entanto o que vemos um mundo que não esta sob o dominio da nossa raça e o principio da atrocidade é tida como perfeitamente correta para ate os nossos olhos já cansados.
O padrão de beleza é europeu, os modelos são europeus, e nós negras não somos europeias. Mas é importante a participação como a de Naomi, para termos a comparação estetica e optarmos o que não escolher.
Dilemar Monteiro

Ninha disse...

como faço pra conseguir esta edição da revista?

Ricardo disse...

Oi Ninha,vc precisa procurar uma banca de revistas importadas ou na internet através do google.
jr