27.10.08

Corpo negro na mídia

A exigência política de maior participação do negro na mídia e nas passarelas de moda vão implicar em conflitos morais criados com as representações pelas quais o corpo e a sexualidade negra serão expostos no espetáculo do consumo.

Adriana Bombom em recente ensaio no Paparazzo

Na moda e na publicidade o corpo é artificializado por ser deslocado de seus contextos reais para se tornar apenas imagem, o corpo é transformado em suporte de uma mensagem de consumo, quando não é o próprio objeto a ser consumido como imagem.

Por um lado estamos "acostumados" com a profusão de corpos brancos ou embranquecidos nus e semi-nus oferecidos ao consumo, por outro, a exigência de mais visibilidade com maior acesso ao mercado profissional de modelos e artistas negros e negras se apresentará também como uma nova fronteira moral.

A interdição do corpo negro segregado em espaços convencionalizados - trabalhos subalternos e alguns tipos de esportes e de entretenimento - carrega não só a negação de seu acesso democrático ao espaço público representando pelo mercado de trabalho como também de restrição às interações sociais. 


A imagem do negro se torna estereotipada pela super-exposição de determinadas representações se comparadas a sub-representação em outros espaços convencionais da vida social.

O desafio que decorre da exigência de maior visibilidade social, além do aspecto moral implica também o controle sobre o corpo como mercadoria-imagem exercida pelo agente junto ao mercado.

No vídeo abaixo em entrevista para o programa TV Fama da Redetv Adriana Bombom expõe sua dificuldade em controlar sua imagem diante das pressões do mercado.



3 comentários:

Angelica disse...

Gostei da sua postagem, traz um bom debate, embora eu sempre fico incomodada com um certo tom de q isso é um problema do negro, qdo penso q é um desafio para a sociedade. Em relaçao à Bombom, vi o vídeo e de fato, ela fala das dificuldades de controlar a sua imagem diante das pressões. No entanto, me parece q ela não faz um contraponto à sua crítica ao consumo. Para mim, a Bombom é o exemplo máximo do culto ao corpo e ao consumo. E fatura muito bem com base nisso. E tem ainda a questão da representação do corpo feminino e o q a mídia faz com isso.

abço,

Angélica Basthi

jr disse...

O comentário é quase uma pauta para postagem. De fato, também acredito que "nosso" problema é um problema de TODA a sociedade. Contudo, temos ESPAÇOS que ao menos simbolicamente são NOSSOS como ocorre quando me dirijo aos meus leitores. Enquanto falamos para todos deixamos de falar para nós mesmos algo que é relevante e específico.
No vídeo minha avaliação é de que ela se faz de ingênua diante de um fato consumado porque se ela não queria que sua periquita aparecesse na foto (a entrevista se refere a um outro ensaio fotográfico) ela deveria estar na gaiola protegida por um contrato como fazem outras modelos. E não dá para arrepender-se depois de casada.
Quanto a imagem da mulher(negra) na mídia acho que o desafio é por um lado a atitude e a relação profissional como neste caso, e por outro, tratar sem falsos pudores do corpo negro na contemporaneidade. E isto tudo significando que a visibilidade do negro na mídia irá passar necessariamente por uma sexualização ainda maior da sua imagem, já que o consumo se pauta em grande parte por isso. O desafio é o mesmo de muitas outras das "nossas" questões, seremos os guardiões da moralidade?

Negro Jorgen disse...

O corpo
da mulher
um mito

segregada
um fato

da mulher negra
um desejo

da mulher branca
um comercial

O mito
da negra amada
transcende ao corpo