30.7.09

15 anos sem Mussum - Mussum Day

Os quinze anos da morte de Mussum geraram um fenômeno na internet o Mussum Day gerado pelo grande volume de mensagens postadas especialmente no Twitter por uma legião de fãns.

Outra homenagem foi feita por um sítio web chamado: Conversor para a língua do Mussum - Mussum grapher
onde você escreve uma frase que será traduzida na língua do Mussum: ondis vocêzis escrevis uma frasis que serázis traduzidis na línguazis do Mussum.zis

Sou simpático ao hunorista Mussum mais pelo seu tipo clow - o jeito irreverente do seu personagem - do que pelo texto do seu humor, que me parece um pouco caricato demais pelo apelo ao estereótipo do boçal.

Boçal segundo o Aurélio:
Do esp. bozal, ‘buçal’ (q. v.); ‘simples’, ‘rude’, ‘ignorante’; ‘(negro) recém-capturado, trazido há pouco da África’.]
Adjetivo de dois gêneros.

1.
Estúpido, rude, grosseiro; ignorante.
2.
Bras. Dizia-se do escravo negro ainda não ladino, recém-chegado da África e desconhecedor da língua do país; caramutanje.

Substantivo masculino.

3.
Escravo boçal; negro-novo, caramutanje.

Substantivo de dois gêneros.

4.
Indivíduo boçal. [Cf. buçal.]

Reproduzo abaixo um texto publicado em 29/07/2009.

15 anos sem Mussum
Texto de Jõao Pimentel para Virgula/UOL

Se esta matéria fosse apresentada num Globo Repórter da vida, começaria com um “hoje, 29 de julho, faz 15 anos que o Brasil ficou mais triste”.

Colocada a pieguice de lado, seria a abertura ideal para o texto, pois foi neste dia, em 1994, que faleceu o mais popular entre os mais populares comediantes do país, Antonio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, d’Os Trapalhões.

Se acha exageradas as afirmações sobre popularidade do quarteto, basta dizer que das 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro ever, 12 são deles. E cinema nem era o negócio principal dos quatro.

E sobre a popularidade de Mussum, bom, não há pesquisa objetiva sobre, mas pergunte a rejeição dos quatro entre seus amigos e constatará que a dele beira a nulidade.

Era difícil, de qualquer maneira, não gostar deles – cada um encarnava um personagem: Didi era o cearense perdido no Rio de Janeiro; Zacarias, o mineirinho ingênuo; Dedé, o galã (?) que tinha a masculinidade contestada, e Mussum era o negro sambista apreciador de cachaça e dono de um linguajar próprio.

Impossível pensar na fórmula atualmente. Ainda mais líder de audiência no horário nobre do “nobre” domingo da Rede Globo.

Só que, à época, as pessoas pareciam ter maior facilidade em entender que uma brincadeira quase sempre é apenas uma brincadeira, e a epidemia do politicamente correto não servia para as pessoas incorporarem qualquer coisa como ofensa pessoal. Mussum foi (é) o ícone de tudo isso, encarnando um personagem três doses de pinga acima do restante do grupo em pelo menos 50% das cenas.

“Com suas atuações politicamente incorretas, ele deixou sua participação no melhor momento do humor na televisão brasileira. ‘Os Trapalhões’ foram a coisa mais importante na minha formação cultural, até eu descobrir os Beatles. E Mussum era o (/Paul/) McCartney”, afirma Fabio Cascadura, líder da banda baiana Cascadura e fã do quarteto.

Mas a brincadeira de gostar de bebida não era apenas brincadeira e ele acabou vitima do alcoolismo. Não sem antes gravar em pedra o jeito de falar empregando o “is” no final de todas as palavras, e bordões e frases como: “quero morrer pretis se eu estiver mentindo”, “crioulo é a tua veia”, “preto é teu passadis”, “vou me pirulitarzis” e o clássico “cacildis”.

“Eu gostava do Mussum, ele representava um carioca nonsense no meio de toda aquela bagunça que eram os Trapalhões. Acompanhei os caras desde quando era na TV em preto e branco, sem falar que os Originais do Samba (/conjunto que tinha Mussum como integrante/), conseguiram que eu cantasse ‘Do lado direito, da rua direita...’. Mussum era o cara: só no forevis”, diz Clemente, líder dos Inocentes e integrante da Plebe Rude.

Teve um problema com Renato Aragão no começo dos anos 1980, quando junto a Dedé e Zacarias acharam que Didi estava faturando acima da média do time.

Fundaram a DeMuZa (com as iniciais dos três), para contrapor a Renato Aragão Produções (criada em 1977), lançaram sem o quarto mosqueteiro o filme “Atrapalhando a Suate”, mas a coisa aparentemente foi resolvida dali até o final da vida de Mussum, que marcou o final do grupo – “o Brasil já ficara menos engraçado com a morte de Zacarias em 1990”.

Depois disso, Renato Aragão continuou na Rede Globo, ancorando “Criança Esperança”, pousando de helicóptero nos braços do Cristo Redentor, criou um programa para chamar de seu, “ A Turma do Didi”, e Dedé Santana perdeu o rumo da carreira.

Criou o “Comando Maluco” em 2005, junto a Beto Carreiro, mas em 2008, com a morte do coubói brasileiro, o programa acabou. E no mesmo ano retomou a parceria com Renato Aragão na “Turma...”, estreando em junho daquele ano nas tardes de domingo da Rede Globo, onde continua até hoje.

A matéria acima é a íntegra do publicado em virgula.uol.com.br

Os vídeos abaixo são diferentes do original da matéria reproduzida, são outros de minha preferência:


Mussum Pai de Santo:

Depoimento de Mussum sobre o conjunto musical Os Originais do Samba:


Um comentário:

Ellen Miguel disse...

Ele era o trapalhão que eu mais gostava.
bjos