15.9.09

Viver a vida: "não somos racistas"!

A telenovela Viver a vida enredou a TV Globo em nova polêmica sobre  raçarelações raciais no Brasil. Primeiro, por admitir - e tornar isto uma marca da novela (e como deixar de fazer isso?) - que a atriz principal do seu horário nobre seja uma jovem mulher negra, desta vez adequadamente colocada num contexto familiar sem que fosse adotada ou simplesmente descolada de origem ou de laços familiares, o que também é uma novidade. Como também por colocar, ao menos em tese, na pauta da a mídia que cobre profusamente as novelas da TV Globo, o tema das relações raciais, do racismo, das cotas raciais, dos  diversos cruzamentos entre raça, classe e cultura e ainda da identidade negra.

A Helena negra do roteirista Manoel Carlos, apesar de Taís Araujo haver declarado que a sinopse não discriminava a raça da personagem, o que quer dizer que poderia ser uma Helena sem raça, sem cor (focada no talento da atriz protagonista, o que para mim é um demérito para Taís Araujo declarar isto, além de seu talento ela tem (d)a cor do pecado.
A Helena negra tem o mérito de confrontar não só o universo ficcional da telenovelas que abordam ou ignoram as relações raciais no Brasil, como também o próprio enfoque dominante nesta narrativa que se pauta no padrão "Não somos racistas" tornado um clichê no discurso TV Globo e por extensão das demais TVs.

Mas como continuar a ignorar e deixar de tratar de frente as relações raciais no Brasil com uma Helena negra na 'novela das nove' (ex-novela das oito), já que sabemos que as telenovelas são ficções costuradas com "muitos pedaços" da vida real? Como nesta novela se poderia considerar que a cor da pele fosse apenas um detalhe que devesse ser ignorado, ainda que se possa conduzir na novela as relações raciais para o paraíso como se acredita que seja uma democracia racial (e não um espaço de conflitos administrados), mas isto deverá ser um detalhe ao fim da trama. E de outros bons temas.
Assim, fica impossível ignorar as relações raciais em "Viver a vida". Este é o desafio para um enredo que se desenvolve num tempo atual onde se misturam alguns temas cruciais para a população negra e especialmente para a juventude negra que almeja visibilidade social diferenciada e espaços profissionais também nas passarelas da moda e na mídia.

Será interessante observar em que nível se darão os conflitos raciais onde a jovem Helena negra é uma mulher bem sucedida rival de outra mais velha junto ao ex-marido e de sua filha nas passarelas.



"Viver a vida": cena de divulgação do desfile do primeiro capítulo: onde estão os 10% de modelos negros?

Também o diretor Jaime Monjardim terá pela frente que enfrentar este jogo das relações raciais onde já começa perdendo um ponto na questão dos negros na passarela do desfile no primeiro capítulo. Nas fotos de cenas dos bastidores é possível verificar que no elenco de passarela não estão sendo respeitadas a (tímida) proposta da vida real de cota de 10% de modelos negros.

Tudo indica que estes aspectos deverão ser tratados como na sinopse da "Viver a vida" em que se quer fazer crer que a cor da pele de Helena é mesmo um detalhe que até a Tais Araujo acreditou.

3 comentários:

ADALBERTO disse...

AHHHHHHHH!!! PARA GENTE, NADA A VER, REALMENTE ESTÁ DEVAGAR, A "EXCLUSÃO" DE RACISMO NA TV,MAIS SÓ DE NÃO DESTACAREM A PERSONAGEM HELENA COMO NEGRA, E TRATA-LA COMO "QUALQUER" UMA,JÁ É UM BOM COMEÇO.CUIDADO COM O TIPO DE CRITICA, SE NÃO AO INVÉS DE AJUDAR, VAI ATRAPALHAR.

Anônimo disse...

Por falar em racismo, fiquei indignado com o que eu vi na cena que foi ao ar no sabado,,,em que a personagem Sandrinha chama a enfermeira de "branquela azeda",,isso é racismo!! eu acredito que o respeito tenha que existir de ambas as partes, o respeito deve ser mútuo,,e não somente por parte dos brancos!

Anônimo disse...

A Mente huma jamais será capás de dar significado diferente a diferença.

O Racismo é muito forte. E com o maior esforço, como fazem na novela "Viver a Vida", ainda sobram pequenos detalhes tipicamente de pessoas brancas, como um branco receber um tapa estando de pé e um negro receber um tapa estando sentado.
Na verdade é um truque da mente, capás de enganar o próprio autor.

Como fazer uma pessoa negra sair do sério e agredir uma pessoa fisicamente como acontece com os marginais. E atribuir uma mentira a pessoa negra, mesmo que esta esteja fazendo isso pelo bem dos outros.

Um branco mente para proteger alguém é "Leal, Amigo...".
Um negro mente para evitar um problema, nenhum branco tem receio de dizer que o negro mentiu.

São pequenos detalhes que constituem o código de honra das raças que garantem segurança em difamar o outro.

Se uma mulher branca aborta, uma pessoa branca diz: cada um sabe a dor que traz no coração.