3.2.10

A mulatada do Gois




"Quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé!" E quem não gosta de gente bonita, alegre e com pouca roupa? Poucos, certo?

Cartaz do "Mulato do Gois 2010

A midia fala para a massa e o Globo conta com o jornalista Ancelmo Gois para que no período pré-carnavalesco promova o concurso da Mulatada (Mulata do Gois e do Mulato do Gois) que a cada ano encena a farsa da visibilidade do negro.
O concurso que elege a Mulata e o Mulato do Góis é uma espécie perversa de ações afirmativas que o jornalista realiza aonde o negro é visto não como cidadão, mas como uma alegoria viva que tem a missão de provocar a libido carnavalesca dos leitores do Globo.
Do alto de sua coluna jornalística Ancelmo Gois se equilibra ao longo do ano soltando umas pílulas de notícias sobre o negro que servem como uma espécie de álibi para sua apoteose carnavalesca fetichizada na eleição da Mulata e do Mulato do ano.


Cartaz  da "Mulata do Gois 2010

Não, a Mulata e o Mulato do Gois não são dois personagens com os quais o jornalista percorre os blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, eles são dois emblemas criados para saudar a mestiçagem brasileira representada na anulação da identidade negra.
A postura de Ancelmo Gois é como a dos anticotistas - grupo de intelectuais e artistas que possam de esquerdistas e progressistas mas que condenam as cotas para estudantes negros - que saúdam a mestiçagem e pedem passagem com o apoio da mídia condenando a afirmação da identidade negra.
A mulatada do Gois realiza para parte da sociedade brasileira o mito da democracia racial construída pelo olhar colonizador e por seus interesses de dominação negando a identidade negra e a substituindo por esta imagem fetichizada, os mulatos, como uma identidade imposta pelo que eterniza, o lugar subordinado do negro na sociedade brasileira.

Um comentário:

Divalocity disse...

Nós somos invisíveis a eles. Longe da vista é melhor para eles.