22.2.11

Teu cabelo não nega

"O teu cabelo não nega" de 1932 foi uma das marchinhas de carnaval mais cantadas nos carnavais do século XX. Ainda neste século é possivel ouví-la nos carnavais em "trios eletricos" e nos bailes de carnaval remanescentes dos 'velhos carnavais' em salões de clubes, praias e praças do interior.
No século XXI o racismo no carnaval ainda se manifesta em sátiras, fantasias e imagens (como nesta polêmica) que revigoram e reproduzem os velhos preconceitos como na famosa marchinha de Lamartine Babo e dos Irmãos Valença:



O teu cabelo não nega, mulata,
Porque és mulata na cor,
Mas como a cor não pega, mulata,
Mulata eu quero o teu amor.

Tens um sabor bem do Brasil;
Tens a alma cor de anil;
Mulata, mulatinha, meu amor,
Fui nomeado teu tenente interventor.

Quem te inventou, meu pancadão
Teve uma consagração.
A lua te invejando faz careta,
Porque, mulata tu não és deste planeta.

Quando, meu bem, vieste à Terra,
Portugal declarou guerra.
A concorrência então foi colossal:
Vasco da Gama contra o batalhão naval

2 comentários:

PROJETO CAMUS disse...

Ridículo. 1º foi a tia Anastácia e agora isto. É preciso uma perspectiva histórica para avaliar no contexto onde foi produzido uma obra de arte. A música diz que " apesar de tudo, de seres negra com um passado escravo, pobre, sem perspectiva de futuro, eu branco ou mestiço pouco importa, mas quero teu amor", Devia ser visto como uma das canções que incorpora a negritude no imaginário das classes dominantes, e não um discurso do preconceito... isto é preconceito, apesar de que os preconceitos são úteis, contra a inteligência. Isso é preconceito dos atuais afrodescendentes contra a história. Isso é uma inversão de valores estúpidificante, onde a inversão é uma revanche eterna.... coisas de trogloditas.

Aline Najara disse...

"mas a cor não pega..." O "mal de origem" da preta não pega, por isso, pode ser desejada. É mais uma reprodução do estereótipo da preta boazuda que serve aos caprichos sexuais do branco. Pra quem acha que é "ridículo" é mais cômodo acreditar no racismo sem ódio do Ziraldo, na democracia racial do Gilberto Freire... no papai noel, no colelhinho da páscoa...bla bla bla...