13.3.11

TV Globo e o galã negro

Parece que a TV Globo está colhendo os frutos amargos da invisibilidade do negro na mídia. Com o público acostumado aos limitados papéis de destaque oferecidos ao ator negro, o personagem André Gurgel, interpretado por Lázaro Ramos na novela Insensato Coração está sofrendo uma forte rejeição por parte da audiência. Para salvar a imagem do galã a mídia Globo tem que atuar no foco do racismo, fonte desta rejeição. 

Lázaro Ramos, o galã negro de "Insensato coração"

Este tipo de situação carrega uma contradição: por um lado a mídia alimenta o racismo por outro neste episódio tem que desmascarar o racismo para salvar a novela. Assim, a TV Globo precisa promover a imagem do galã negro que já carrega no personagem uma imagem antipática de conquistador cafajeste. Um trabalho duplo porque a antipatia inevitável ao cafajestismo e a arrogância do André Gurgel fica potencializada pela sua cor da pele.

Não tendo como negar o racismo a Revista Época, diz que a situação está melhorando conforme a matéria da edição de 19 de fevereiro de 2011. Intitulada "O sucesso do galã negro" a matéria traz como cabeçalho: "O que o papel de Lázaro Ramos como um playboy rico e sedutor revela sobre as mudanças sociais que estão ocorrendo no Brasil."
Depois de comparar Lázaro Ramos aos tradicionais galãs do horário nobre o texto observa:
"Sua presença nesse posto simbólico, com a inevitável carga de polêmica que acarreta, reflete as mudanças profundas que estão em curso não apenas na televisão, mas no interior da sociedade brasileira. Os negros estão ocupando novos lugares."
Em seguida detalha que o tema do galã negro adquiriu alcance nacional com a aceitação elogiosa de muitos e da rejeição de alguns. Cita algumas expressões de rejeição obtidas no twitter observando seu viéis racista. Depois de citar o boa média de audiência (35%) destaca um elevado índice de visita ao site da novela superior em 54% aos das antecessoras, outro sinal positivo. 
A matéria da revista Época on line é uma parte da matéria da edição impressa, contudo, alguns números são apresentados: 67% da audiência aprovam o personagem, enquanto 33% desaprovam com destaque para uma forte rejeição ao galã negro entre dos homens jovens entre 25 a 29 anos. 
O texto da matéria conclui pelo sucesso do galã negro Lázaro Ramos apoiado por uma maioria feminina e ao mesmo tempo, reconhece sua significativa e preocupante rejeição por mais de 30% do público o que deixa uma luz amarela de advertência acessa.

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