5.4.11

Cabelos crespos: cabelo ruim ou cabelo bom?

Os cabelos crespos são um "cabelo ruim" ou são um tipo de "cabelo bom"? O certo é que esta é um idéia errada  para avaliar a qualidade de um cabelo.

  Adriana Bombom : cabelos crespos com tratamento de relaxante

Os cabelos são filamentos sobre a pele que servem de proteção natural do corpo seja contra os efeitos do sol ou do frio. Sua concentração na cabeça visa a maior proteção dos orgãos sensoriais dos efeitos externos do ambiente. 
                                                                                                            
 
Patty Labelle: corte assimétrico e peruca e Diana Ross: peruca platinada
                                                                                    
Barbie Black: o estilo princesa negra 

O significado social dos cabelos são culturalmente variáveis segundo os costumes regionais, étnicos, “raciais” e também segundo as posições das classes econômicas na sociedade.

Mary Wells, cantora cabelo alisado e penteado em camadas estilo anos 50 e 60

Geralmente cabelos fartos e de aparência saudável são sinais de saúde e juventude. A cor dos cabelos são indicativos da idade, da ascendência étnica-racial e de distinção. Os cortes e penteados também são indicativos de prestígio e posição social.

Modelo em desfile no Fashion Rio: estilo afro no XXI

A textura dos cabelos são os sinais mais determinantes de pertencimento a uma etnia ou “raça”. Os cabelos crespos possuem uma densidade e tamanho menores do que o cabelos caucasiano por sua estrutura molecular e assim como a pele negra são fatores determinados pela adaptação genética aos trópicos.
Com a escravidão e a colonização vão ser alterados os modos de percepção e uso dos cableos crespos por parte dos negros. A estética corporal colonizadora acabou por impor seu estilo aos cabelos crespos como sinal de distinção e para aceitação nos ambientes sociais e profissonais.

Donna Summer: 'curl' glamourosa anos 80

Inicialmente ao longo do século XIX sob o domínio da estética eurocêntrica os cuidados com os cabelos crespos ocorriam com o uso de gorduras animais para facilitar os penteados de estilo europeu. Depois vieram os pentes de ferro quente a partir daí se iniciam as técnicas de alisamento.

Madame C.J. Walker e abaixo,

Surgem então nos EUA os “tratamentos químicos” com alisantes à base de soda cáustica que alteravam a estrutura molecular do cabelos crespos. Estas indústria nos EUA criou alguns dos primeiros milionários afroamericanos pioneiras nestes “tratamentos”.

 Garret Morgan: inventores e pioneiros nos métodos de alisamento 

O uso massivo dos alisamentos dos cabelos crespos predominou até meados do século XX. A mudança começou a ocorrer a partir da “Campanha pelos Direitos Civis” quando os afroamericanos passaram a protestar por mais igualdade. Com o avanço da Campanha pelos Direito Civis o negro norte americano aumentou sua autoestima e com os slogans do “orgulho negro” e do “poder negro” entre as décadas de 60i70 consagrando o 'estilo afro' com os cabelos naturais eriçados sem alisamentos.

Nos anos 80 surgiram diversos novos tratamentos menos danosos à saúde como os amaciantes e relaxantes capilares oferecendo diferentes efeitos aos cabelos crespos. Ao lado disso, se desenvolveram estilos com cortes e penteados diversos como o afro, as trancinhas, os dreadlocks, etc. Junto aos produtos específicos de tratamento dos cabelos crespos vão surgir uma vasta economia de produtos cosméticos como clínicas e salões de beleza para negros, o que também contribui para o fortalecimento de uma economia negra nos EUA. Surgem os slogans de valorização dos cabelos crespos: “Don’t worry be nappy”, “happy to be nappy”, “Love, peace and nappiness”.


Beyoncé: cachos aloirados e Tina Turner pioneira com alisados e eriçados loiros anos 80 e 90


Durante a segunda metade do século XX e na primeira década do XXI os estilos de cabelos crespos naturais e alisados vão conviver e mesmo se alternar nas cabeças femininas. Porém estes estilos vão cocorrer também em meio a polêmicas tanto sobre seus efeitos danosos à saúde como pela imposição de exigências profissionais ou sociais. E sendo as mulheres negras o elo mais frágil desta cadeia de imposições se tornou cômodo para elas o esquecimento de que esse costume está associado às noções  preconceituosas de "cabelo bom", "cabelo ruim" e da “boa aparência”. Além disso, há ainda a falsa noção da “facilidade dos cuidados” com os cabelos alisados porque seriam os cabelos crespos mais trabalhosos.

Vagner Love: trancinhas coloridas com apliques

Os homens negros também a partir dos anos 80 vão deixando o estilo afro e vão aderir às cabeças raspadas, estilo consagrado pelos jogadores negros de basquete nos EUA e depois pelos jogadores de futebol. Ao lado desses, uma parcela crescente de jovens negros aderem também aos dredlocks ou 'estilo rasta’ mais presente entre artistas e estudantes, mas também muito adotado por mulheres jovens.

 Sandra de Sá: camaleônica sem alisamentos

Hoje, as mulheres negras estão usando todos os estilos de cabelo crespos naturais e as mais variadas formas de tratamentos como alisamentos, amaciamentos e relaxantes diversos cortes e penteados, tingimentos, descolorações, aplicações e perucas.
Sendo o cabelo um dos maiores sinais de distinção social e tendo nosso ambiente cultural a predominância dos valores estéticos de origem européia as mulheres negras ficam mais submetidas à ditadura da beleza. Ao lado disso, se confronta uma politização do uso de cabelos naturais, não alisados como sinal de uma consciência crítica à imposição desses valores europeus que ocorrem sob a pressão de uma poderosa e agressiva indústria cosmética que torna o Brasil um dos maiores mercados mundiais consumidores desses produtos.

Adriano: cabelos raspados e desenhado à navalha: estilo preferido nas periferias pelos jovens do funk 


Fontes: wikipedia.com e essence.com

2 comentários:

Mais Pernambuco disse...

O cabelo crespo e bom e bonito. Eu acho muito mais bonito um cabelo cacheado (bem cuidado) do que um liso.

patyy disse...

Antigamento os negros apesar de ironicamente ser "aceitos" na sociedade, mantinham seus cabelos alisados.Até eu já passei por esta triste experiencia para se aceita. Hj assumir meu cabelo afro simbolo de minha cor e me sinto muito bem.( só o fato de não precisar mais de me submeter alisamentos quase todos os meses e escova diariamente alem correr de chuva kkkkk,almenta sim minha auto estima.

Parabéns vlw.... adoreu seu blog