2.9.11

"Amigo branco": um equívoco de Leci Brandão para repudiar o racismo

Seguindo uma indicação musical em minha rede no Facebook cheguei a esta dissonante letra de Leci Brandão e gravada por Márcia Maria em 1978 onde sem dúvida, não se queria denunciar o racismo. Ao contrario, Leci Brandão tentou com a sua poesia criar uma fantasia para negar o racismo. Mas sem querer o que ela faz é afirmar o racismo e de uma forma escancarada. É o que acontece quando ela inverte os lugares sociais dizendo que ela (mulher negra) não quer discriminar o (homem) branco. Para dizer isso, ela exalta o branco. Como se o negro fosse o agente do racismo. Para repudiar o racismo, o negro não precisa exaltar o branco. O negro que nega o racismo exaltando o branco é uma invenção racista, assim como dizem (o Caetano Veloso e cia.) que o negro que afirma sua identidade negra deve ser considerado racista. Esta manifestação e a impunidade com com é feita e aceita mostra a eficácia do racismo expressa de forma patética ou mesmo caricata. É um lugar social que a resistência do negro o racismo não construiu. Como é possível que essse lugar em que a mulher negra que não quer discriminar (!?) e para dizer isso faz equivocadamente uma exaltação ao branco?


Corrigido e atualizado em 3/9/2011 com meu agradecimento a Márcia Maria.

Um comentário:

Sergio Rossetto disse...

A Letra é ironica mas também de duplo sentido. Levo a crer que tamanho preconceito que ela sofreu, fez escrever uma letra equivocada sem sal sem açucar e rimando Boi com Abobra. Talvez se fosse mais direta certamente faria sucesso e todos nos o aplaudiria de pé.
Serjao Rossetto
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